Ethel
22 Abril - 35º dia do Estado de Emergência
Condillac começa o seu livro célebre, «Por mais alto que subamos e mais baixo que desçamos, nunca saímos das nossas sensações». Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos As verdadeiras paisagens são as que nós mesmos criamos, porque assim, sendo deuses delas, as vemos como elas verdadeiramente são, que é como foram criadas. Não é nenhuma das sete partidas do mundo aquela que me interessa e posso verdadeiramente ver; a oitava partida é a que percorro e é minha. ( Do Livro do Desassossego)
Os meus amigos estão silenciosos e eu tenho dificuldade em notar o que sinto. Viajar o mundo porque nestas quatro paredes ele se torna pequeno. Já o viajei mil vezes, tantas quantas estive deitada num sono inebriante. A infância e o medo de ficar descalça. No corredor de um boeing os meus sapatos no nariz do avião e eu criança sentada no rabo dele.
- O que mais vais esquecer? perguntou-me a avó Zuzu. Os sapatos são para estar nos pés. Obrigada, senhora hospedeira. Vê agora se não os voltas a tirar.
Passei o resto da viagem com os pés apertados. Adoro ficar descalça mas depois lembro-me daquela terrível sensação como se o chão fosse brasa.
Em poucas horas, a simpática aeromoça da Varig passou a ser tratada por hospedeira e a minha vida deixou de ser falada em brasileiro.
- Quando é que aprendes a falar? perguntou-me um amigo há poucos anos. Já é tarde, respondi. Cada vez sei menos.
Uma criança com 8 anos é enviada para a casa dos avós por seis meses. Porque razão? Nem os meus pais sabem explicar. Numa Lisboa cinzenta e beata, a prima Maria que sempre foi velha, guardava o terço no bolso da sua saia para qualquer eventualidade. À noite chamava-me para rezarmos em frente a uma imagem. Deus me perdoe porque peco todos os dias. Benzia-me em cada porta que abria. Não fosse o Diabo tecê-las, o pecado está sempre à espreita. Cruzes!
- O que fizeram a esta criança? perguntou o pediatra, que também me esperava no aeroporto de Viracopos, no meu regresso à casa dos meus pais.
Como se explica a um adulto que não é suposto uma criança escutar semelhante pergunta? O que fizeram com esta criança?
Deram-lhe sopa e terços intermináveis. Não comes a sopa? Vais comer o dobro. Não comes o peixe e a carne? Não sais da mesa até o prato estar limpo e não te damos a sobremesa! Deus existe e está em todo o lado. Não tens safa porque ele vigia cada um dos teus passos. Treina o remorso, reza e pede desculpas porque ele é misericordioso.
Regressei a São Paulo pouco tempo depois do assassinato de John Kennedy. Lembro do anúncio na TV portuguesa. Ouvi o grito do meu avô e corri para a sala. Faltava pouco para eu voltar para casa. Um ano depois o golpe de 1964 e a nossa mudança para Fortaleza.
- Pai, porque me mandaste para Portugal tão criança?
E tu ficas surpreso, sequer entendes a pergunta. Só queria o teu bem. Ias estudar na Europa. Então reparo que tu também sofreste, que tiveste saudades e que te foi difícil. Ainda assim repetiste a façanha com os meus irmãos. O privilégio não foi só meu.
Quantas coisas absurdas fazemos convencidos de que estamos a beneficiar os nossos filhos? O peso e o desnorteio de responder adequadamente à expectativa dos meus pais foi me acompanhando pela vida. Quem cuida de quem?
- Fui boa mãe? perguntas-me. É claro que foste a melhor do mundo.
Quem não erra? O teu medo nasceu com a história do teu povo. Desde criança que escuto que viemos de um povo perseguido. Há quem de uma forma ignóbil diga que foi esse medo que alimentou o nazismo. Aprendemos a contornar a tormenta e a resistir na calada da noite. Deram-nos uma estrela para colocar ao peito e nós afirmamos que somos eleitos. Sempre tive dificuldade nessa relação de perseguido versus eleito.
Eu não quero saber disso, diz o Henrique que adora os sírios. A única discórdia é sobre a origem do falafel. Sírio ou israelita.
À medida que os anos passam e a velhice se instala, reconheço parte do que sou na estória da minha família judia.
- Avó casei-me com uma árabe. E agora? brinca o meu sobrinho cineasta.
O que tem isto a ver com o COVID 19 e o teu piano filha, que depois de ficar fechado alguns anos, vendi para pagar dívidas?
De novo, o arrependimento a morder-me.
O COVID? Eu sem te poder ver, filha.
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Primeiro, partiu uma corda do piano e depois a do violino, não deixando intacto o violoncelo, nem o violão e o contrabaixo da banda. No palco, os músicos calaram o compasso em falta, e na pista os casais colaram os corpos. Tum, tara tara, tum, tara tara, tum, tara tara, tum tum. O som sincopado do coração.Com a tempestade as madeiras estalaram não deixando um só instrumento vivo.Tum, tara tara, tum, tara tara, tum, tara tara, tum tum. Veio de longe e manso, o saxofonista.-
I love sax, disse a moça solitária com saudades de amar.
Tum, tara tara, tum, tara tara, tum, tara tara, tum tum.
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A CANJA DA MAMÃEOlha para o céu e eu tento adivinhar o que ele vê para além das estrelas. No bar, pede um copo de vinho e um pastel de bacalhau. Enquanto bebe repara nos beijos do casal em frente. Olha para o relógio e lembra-se da canja que a sua mãe fez acreditando que ele chegaria cedo. Diz-me que está na hora de partir. Antes que ele saia, pergunto:- O que você vê no céu?
- Uma mulher flutuando sem destino aparente.Penso nele quando o meu olhar se perde nas nuvens e eu descubro as asas de uma mulher em busca do seu caminho._____________________________________________________
TRIBO A Paula e o Zé Edgar, meus irmãos, são filhos da Rosa e do Fernando. Netos da Fanny e do Schmil, poloneses fugidos da guerra, e da Zulmira e do José Silva, família de ferroviários de Vila Franca de Xira. Sobrinhos do Isaac que também era Jacob, casado com a Maria Luísa, uma operária sobrinha do Lamarca, resistente-guerrilheiro. Primos dos gêmeos Luis e Carlos, em honra de Luís Carlos Prestes e do caçula João Paulo, em honra dos Papas João XXI e Paulo VI.
A família cresceu entre a Polónia, Brasil e Portugal. Quem a ela se juntou, trouxe Angola, Cabo Verde, Colômbia e por herança o Líbano.A Paula casou-se com o António, neto de um padre, a Ethel com o Raul, neto de um aventureiro espanhol e o Zé Edgar com a Eduarda, filha de um coronel de cavalaria. Sara, a filha mais nova da Paula e do António, está casada com a colombiana Maria, e o André, filho mais velho casou-se com a Patrícia de origem cabo-verdiana. Carla, a filha da Ethel e do Raul, é casada com o Ivo, músico português, filho de um dentista brasileiro. Entre a Sara e a Carla, aquele que dá pelo nome de João, filho do Zé e da Eduarda, casou-se com a Renee, brasileira de origem libanesa, na esperança que judeus e árabes se reconheçam.No Tocantins, a Mira, a filha do João e da Renée, tem mais uma família, a dos índios Krahô, que aí ganha o nome de Piña. Em Lisboa, o Duarte, filho do André e da Patrícia, tem primos e tios cabo verdianos.
A família tem de tudo: Judeus, cristãos, ateus e comunistas, músicos, escritores, motoristas, cineastas, ferroviários, vendedores ambulantes, atrizes, cartomantes, meditadores, empregados e desempregados. Nem todos se falam, nem todos se amam da mesma forma, uns discutem, outros se beijam. E por vezes celebram em conjunto a loucura que os assiste.
Não sei como o Zé ganhou o teu olhar, pai. Revira os olhos quando tem a certeza do que fala e aos poucos ganha a tua tranquilidade. A Paula sorri como tu, pouco se importa se está ou não de acordo com as convenções. Quando foi que te desdobraste neles, pai?
Revejo em mim a tua gargalhada, o mesmo encolher de ombros que se diverte com o circo. As palhaçadas. Será este o milagre da eternidade de que tanto escreves? Como era mesmo a tua cidade, pai? Conta-me, repete-me para que eu não me esqueça. Conta-me, pai que o que parece lamento é também esperança e os que hão de vir, possam sonhar o devir.
- Aurélio, eu gostava de viver numa cidade à beira-mar. Não estou a falar da Capital, mas de uma outra cidade que está à minha espera. Cheia de altos e baixos, uma igreja em cada monte. Todas as semanas eu visito uma, Deus marcou-me encontro. Os meus filhos... Sim, porque nessa cidade eu tenho muitos filhos. Os meus filhos andam na pesca, em casa não falta o que comer. E quando há excesso de comida, em vez de irem ao mar, ficam mas é deitados nas redes do alpendre, a balançar. Todos têm o vício do balanço. Tenho um filho preto casado com uma preta. Tenho um filho branco casado com uma branca. Tenho um filho mulato casado com uma mulata. Mas também tenho um filho branco casado com uma preta, e uma filha preta casada com um branco. Tenho uma filha branca casada com um mulato e tenho um filho mulato casado com uma branca. Tenho uma filha preta casada com um mulato e tenho um filho mulato casado com uma preta. Tenho seis filhos e três filhas, tenho trinta netos de todas as cores, uns brancos, outros café com leite, mais leite menos café, menos leite mais café, outros cor do tição. Não sei o nome da cidade mas gostava de saber. Antes de morrer hei-de saber. Uma vez por ano, no dia de Sant'Ana, no dia da Santa Avó de Deus, levo os meus trinta netos à catedral que fica lá no alto. Todos de mãos dadas e muito comportados, até parece que os traquinas entendem que é coisa séria... Homens e mulheres de todas as cores vêm fazer uns tagatés nas trinta cabecinhas. Há muitas velas, anjos dourados que parecem voar. Depois um órgão começa a tocar e nós cantamos. Ficamos de bem connosco e com os outros. Acaba a festa e descemos a ladeira, algazarra muita. Paro em nove portas a entregar os meninos e as meninas aos seus pais. Recebo nove prendas, muitos beijos e abraços. Um colar de missangas, uma blusa de renda, uma saia com flores, um turbante muito branco, um xaile com ramagens, um pote com doce de coco, uma colcha de retalhos coloridos, uma bolsa com tabaco perfumado, e um livro sobre os cavalinhos brancos. Como aqueles que antigamente havia aqui no Condado. Peço e o meu neto mais velho lê o livro. Não acredito! É tudo má fantasia, não pode haver terra onde os homens usem freio na boca e sela nas costas e onde os cavalos corram sempre em liberdade... Olho para o mar e não acredito. Ainda bem que eu vivo, com os meus, naquela cidade onde gosto de viver. Aurélio, tu és um menino muito viajado. Por acaso tu conheces o nome da cidade que sonhei?César arrepiado com a fluência do discurso de Sara. Mas respondeu:- Não, não conheço, não há cidade assim. Mas vai haver, Sara, vai haver...Este livro, é teu mãe.Testemunhas os meus devaneios, esperas que eu me acalme e cale, para sem pressa tomares a palavra.
Após a chegada ao porto de Santos, depois de um mês em casa dos teus pais, deram-vos uma casa para começar a vida, no Jardim São Paulo. Vocês viveriam da arte. Tu, enquanto pianista e o pai enquanto escritor.“Ninguém vive da arte..”, ouvi quando já tinha 16 anos. Como foi que isso aconteceu, mãe?A vida foi ditando as minhas escolhas, dizes. Quando o teu irmão nasceu, o maestro Tabarim disse-me: “ou você é pianista ou mãe.”
O teu pai começou a trabalhar na Folha de São Paulo. Lá ele fundou a Folhinha, um suplemento infanto-juvenil. Antes tinha trabalhado na Editora Cultrix e logo em seguida com o Sidónio de Muralha e o Fernando Lemos criou uma Editora para o público infantil, a Giroflé. Um projeto de vanguarda que teve vida curta. A Televisão da Bicharada, foi a estreia da editora. Um livro de poemas da autoria do Sidónio, com ilustrações do Lemos. O teu pai escreveu O Sindicato dos Burros, ilustrado pela Maria Bonomi e a Cecília Meireles assinou o último livro da Giroflé, com o ‘Ou Isto ou Aquilo’. Depois aconteceu o Golpe de 64 e nós tivemos de ir para Fortaleza. O Zezinho Prado ajudou-nos. Contratou o teu pai como gerente de uma fábrica que era da sua família. Longe da atividade política e da falência da Giroflé.Em Fortaleza, o Fernando ainda escreveu A Cor dos Homens, uma novela publicada pela Cultrix. Eu não trabalhava. Tomava conta da casa. Tínhamos uma vida estável, pela primeira vez. E o piano, mãe? Nunca deixei de tocar.Ficámos pouco tempo em Fortaleza. Passados dois ou três anos, o teu pai, quis voltar para São Paulo. Sentia falta do meio editorial. Mas São Paulo já não era a mesma cidade. A ditadura se instalara. O teu pai teve vários empregos e despedimentos e eu fui vender de porta em porta. O meu primo Isaac tinha uma confecção. Comecei por vender nos apartamentos do nosso condomínio, na Aclimação. Depois atravessei a rua e bati todos os outros prédios do nosso bairro.E o piano, mãe? Nunca deixei de tocar.A clientela cresceu e eu fiz uma boutique no quarto do Zezinho. Era um alvoroço. Mas tínhamos dívidas e dívidas e o teu avô Silva, convidou o teu pai para regressar a Portugal e tomar da empresa que ele tinha construído. Vendi a carteira de clientes, pagámos as dívidas e viemos para Portugal.E o piano, mãe? Vendemos.Traída a promessa da terra prometida, Deus perde-se nas contas de justificar.
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WE ARE THE WORLD
Cantava um grupo num Centro Comercial. Algumas pessoas filmavam, outras balançavam o corpo, e na hora do refrão todos os presentes abriram os pulmões.
E eu que já me cansei de ver as repetidas versões destas atuações, de repente me emocionei. Rodei o corpo na cama e chorei. A saudade que tenho de ser gente!
Vamos tomar um café? Deixo a mão em cima da mesa e o gel ao lado para depois de todas as nossas carícias.________________________________________________________________________________
- I love sax, disse a moça solitária com saudades de amar.
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A CANJA DA MAMÃE
- Uma mulher flutuando sem destino aparente.
Revejo em mim a tua gargalhada, o mesmo encolher de ombros que se diverte com o circo. As palhaçadas. Será este o milagre da eternidade de que tanto escreves? Como era mesmo a tua cidade, pai? Conta-me, repete-me para que eu não me esqueça. Conta-me, pai que o que parece lamento é também esperança e os que hão de vir, possam sonhar o devir.
Após a chegada ao porto de Santos, depois de um mês em casa dos teus pais, deram-vos uma casa para começar a vida, no Jardim São Paulo. Vocês viveriam da arte. Tu, enquanto pianista e o pai enquanto escritor.
O teu pai começou a trabalhar na Folha de São Paulo. Lá ele fundou a Folhinha, um suplemento infanto-juvenil. Antes tinha trabalhado na Editora Cultrix e logo em seguida com o Sidónio de Muralha e o Fernando Lemos criou uma Editora para o público infantil, a Giroflé. Um projeto de vanguarda que teve vida curta. A Televisão da Bicharada, foi a estreia da editora. Um livro de poemas da autoria do Sidónio, com ilustrações do Lemos. O teu pai escreveu O Sindicato dos Burros, ilustrado pela Maria Bonomi e a Cecília Meireles assinou o último livro da Giroflé, com o ‘Ou Isto ou Aquilo’. Depois aconteceu o Golpe de 64 e nós tivemos de ir para Fortaleza. O Zezinho Prado ajudou-nos. Contratou o teu pai como gerente de uma fábrica que era da sua família. Longe da atividade política e da falência da Giroflé.
Uma prima escreve-me:
Não conheço nenhuma história de familiar morto em campo de concentração. As histórias que conheço são de pessoas que vieram antes de 1930. Fugiram da miséria!
Já se passaram quarenta e dois anos desde que deixei a minha cidade natal, Ryki, onde dei os meus primeiros passos no mundo divino. E embora tantos anos tenham se passado, eu tenho a cidade vívida diante dos meus olhos. Os meus pensamentos sempre voltam àqueles tempos, às pessoas que viviam lá, queridas ao meu coração.
Meus pais não quiseram o dinheiro que ganhei. Com treze anos tinha o suficiente para ter minha própria barraca no mercado e alugar uma loja em Symcha Lejzer. A loja estava aberta a semana toda. Fiz uma boa clientela e ganhei bastante.
Já trabalhei numa casa de judeus. Eles enterram os mortos em pé. No cemitério há muitas campas assim. Todos em pé. Um dia vi um túmulo com o nome da sua avó: Micosky, não é?
Junto com a Paula, minha irmã, percorremos todo o cemitério judaico no Alto de São João. Nem um nome sequer aproximado de Micosky. De novo a tristeza na face da minha mãe.
A história está repleta de pessoas eclipsadas por imposição de outros. Os presos políticos que foram afundados na Baía da Guanabara, os que foram torturados até à morte e depositados numa vala comum, os refugiados que morrem na praia, no meio do oceano, nos campos, seja onde for e de quem se perde o rasto. Aqueles cujo nome pouco importa.
- Já tenho cem anos, filha?
- Ainda não. Faltam 10, mãe…
- Então ainda tenho tempo para contar o resto.
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CLEO, VULGO DINO
o meu irmão
a primeira dama do salão
agora nada com os tubarões,
na ilha das Flores.
aparece com o escafandro
O meu irmão mora com quatro mil deles
Já passava da meia-noite, quando o teu beijo venceu-me.
Que importância tem se me fez acreditar em Deus?
Nessa noite atravessei a serra de Sintra num planador.
Depois foram os outros dias que não tinham fim.
O meu corpo com asas sem saber voar.
- Chico, grita a mãe. Cuidado!
- Caetano, cuidado!
- Caetano?
- Mãe, ãe, ãe, ãe, ãe, e,e,e,e…
- Francisco!
- Franciscoooo, cisco, cisco, ciscoooooo…
- Caetanooooo! Os meninos não se batem...
- Vá, agora um abraço!
- Oh, mamãe. De novo? Fizemos isso a tarde inteira.
Meu pai faleceu esta manhã. Estaremos na casa mortuária da Igreja do Campo Grande a partir das 15h30. O funeral será amanhã às 14h30.
Conheci Reisele, a judiazinha brasileira, em Bucareste, durante o Festival da Juventude de 1953. Meti conversa, simpatizámos um com o outro. Marcámos reencontro em Paris.
- Numa sexta-feira, o meu avô foi à sinagoga fazer a sua reza e quando saiu foi apedrejado até à morte por um grupo de estudantes embriagados.
- A minha família é oriunda da Polónia, tanto da parte de pai quanto de mãe. Judeus pobres em busca de um lugar no mundo. O meu pai nasceu em Lodz e a minha mãe em Rikki. Ambos trabalharam em Varsóvia. Conheceram-se em São Paulo. Um casamento arranjado. Na chegada ao Brasil tiveram os seus nomes alterados. Schmil passou a ser Samuel e Faiga Bailla ganhou o nome de Fanny.
- Quando eu nasci, chorava muito e o meu pai deu-me o nome de Rosa em homenagem a uma grande cantora lírica. Quando eu era criança, a minha mãe viu um piano em casa de uma cliente e perguntou-lhe se poderia me dar aulas. Foi assim que comecei a estudar. Mais tarde, quando houve dinheiro ganhei um piano e fui estudar no conservatório com o professor Ítalo Tabarim.
- Não sei mais nada. Se o meu irmão fosse vivo saberia dizer mais do que eu.
- O filhote fez cocó no sofá e ninguém limpa, nem avisam o garçom...
- Aconteceu-me uma desgraça. A Mariana deu positivo ao COVID...
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